Chris
Beomont
—
Capítulo seis —
Briga de namorados
Passos
apressados se aproximaram da porta: revelando ao menos duas pessoas do outro
lado. Chris, que ainda se recuperando do susto, bateu a porta do armário, e se
esgueirou rapidamente para debaixo de um balcão repleto de cilindros de vidro.
Seu coração pulsava acelerado e por um
segundo acreditou seriamente que tinha posto tudo a perder... Que todo o
esforço de sua mãe para que retornasse a estudar em Acácia Artt, fora em vão.
— Eu não tenho nada para falar com você,
David! — rosnou uma garota, do lado de fora do laboratório. — Quem o deixou
entrar? Você nem ao menos estuda aqui...
— Taylor, vamos conversar?! — suplicou uma
voz masculina: que sem duvida pertencia ao tal David. — Não aguentei esperar!
Precisava falar com você... Te dar uma satisfação!
Houve
uma risada sarcástica, Taylor parecia irritada.
— Não aguentou esperar...?!
Chris deixou a segurança do balcão, e se
esquivou como pôde até a porta do laboratório. Seu coração pulsava ainda mais
acelerado. Podia ser a mesma Taylor? Taylor Collins?
A porta foi aberta com cuidado, deixando uma
pequena fresta, por onde ele espiou o corredor... E lá estava ela: de costas
para a porta, encarando o homem que definitivamente era David.
— Uma semana, David! — pontuou Taylor, e em
sua voz era nítido o desapontamento. — Uma semana inteira, sem aparecer! E
agora me diz que não aguentou esperar?!
David não respondeu. Abaixou a cabeça como
se admitisse o erro. E nesse mesmo instante, Chris o reconheceu. Era o mesmo
David Borcy de cabelos cacheados, que na infância fora seu amigo. Seu rosto se
mantinha inalterado. Apenas mais alto, um pouco mais velho, e sem o aparelho
dentário que usava aos treze anos de idade.
É claro que muita coisa havia mudado desde
então. Chris fora internado em um hospital psiquiátrico, e David se tornara um
famoso jogador de futebol, admirado, e repleto de fãs pelo mundo inteiro.
— Você é patético! — agrediu Taylor. —
Agora, faça-me o favor de sair da minha frente!
David
se manteve imóvel, bloqueando completamente a passagem. Taylor por sua vez
esquivou-se do namorado, e partiu pelo corredor, desaparecendo do olhar curioso
de Chris.
— EU TE DEI O COLAR QUE QUERIA, NÃO DEI?! —
explodiu o jogador se zangado com falta de indulgência da namorada.
Taylor retrocedeu alguns passos, voltando-se
para ele. O rosto lívido de raiva.
— Não David! Você pagou o colar! O que é
uma coisa completamente diferente...
— E não era o que queria? — replicou ele. —
Você o escolheu, me fez gastar mais de cem mil...
Taylor ficou repentinamente muda. Sua cabeça
pendeu para os dois lados e então tornou a falar, dessa vez mais calma.
— O que eu realmente queria era que você
fosse ao meu aniversário... Quanto ao valor... É só dinheiro, eu mesma poderia
ter comprado!
Fora impossível para Chris não se divertir
com a cena que presenciava. Sempre tivera uma queda pela garota, e agora que
ela estava prestes a romper o namoro, ele poderia enfim ter a chance que sempre
esperara!
Houve segundos de silêncio, onde David se
mostrou arrependido. Sem duvida, não tivera a intenção de ofendê-la. As
palavras simplesmente saltaram de sua boca, em meio ao calor da discussão.
— Pensei que soubesse. — continuo Taylor. —
Quando vai entender?! A garota estava ainda mais desapontada. — O que eu
preciso David, é de alguém que se importe comigo. E não finja se importar,
tentando reparar a ausência com presentinhos... A Dawn tem feito isso há
anos... Eu sinceramente não preciso de mais alguém como ela...
Taylor se esquivou pelo corredor. E Chris
precisou ficar nas pontas do pé, para enxergá-la.
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— Eu sinto muito! — suspirou David sem
jeito. — Eu realmente sinto muito... Nunca foi minha intenção faltar ao seu
aniversário...
— E porque faltou?
— Eu não sei! — sua resposta fora baixa,
quase um suspiro. — Eu simplesmente não faço ideia...
Taylor contraiu o rosto, desconcertada. Não
acreditava no que acabara de ouvir.
Chris que espiava pela porta, conteve a
risada, temendo que o som lhe entregasse.
— Teve uma semana, e é isso o que tem a me
dizer?
David assentiu, parecia decepcionado consigo
mesmo. Ainda mais decepcionado até mesmo do que Taylor pudesse estar.
— Sei
que não é a melhor resposta! — começou timidamente. — Mas é a verdade! A última
coisa que me recordo, é de estar me vestindo para o seu aniversário... Depois
disso acordei em São Paulo... Dois dias depois...
Taylor se manteve petrificada. Impossível
para Chris àquela distância distinguir se ela realmente acreditava na desculpa
do namorado.
— Que desculpa mais esfarrapada! — suspirou
irritada. — No mínimo você me traiu de novo!
Ela deu as costas, e seguiu em frente,
desaparecendo completamente do campo de vista de Chris.
— Eu realmente não sei! — insistiu David. —
Não me lembro de nada... Eu dou minha palavra!
— Click! Click! Click!
Os sapatos da garota ecoavam pelo corredor
afastando-se cada vez mais. David irrompeu em seu encalço, e já não era
possível vislumbrá-lo.
— Será que pode me dar uma chance?! —
suplicou apanhando o braço da namorada. — Já namoramos há tanto tempo, dê pelo
menos uma chance de me redimir!
Não
houve resposta. Chris aumentara a fresta da porta, e mesmo assim não pôde
divisá-los. Estavam longe demais.
— David, eu sinceramente...
— Vamos jantar juntos? Só nós dois? Podemos
conversar melhor?!
A distância dificultava que Chris os ouvisse
bem.
Não aceite! Não aceite! Torceu ele, e a
porta deslizou alguns centímetros, quase o derrubando ao corredor.
— Apenas um jantar! Respondeu Taylor com
frieza. — E a-propósito... Você esta com uma olheira terrível... Tente dormir,
faz bem!
— Click! Click! Click!
O seu par de sapatos ecoaram pelo corredor,
até cessarem. E Chris percebeu com um desconforto na boca do estômago, que ela
havia partido.
A porta girou para o lado, e finalmente ele
deixou o laboratório exibindo um sorriso frio e maldoso. David ainda estava no
corredor. Alguns metros à frente, a cabeça apoiada à parede.
— Seis anos se passaram, e você continua o
mesmo otário de sempre! — ridicularizou Chris cruzando o caminho do jogador.
David se virara rapidamente, e então, seus
olhos se arregalaram.
— V-você! O que está fazendo... O que está
fazendo aqui?!
— Estudo aqui! — afirmou Chris, e seu tom
de voz tivera a mesma frieza que Taylor usara com o jogador.
David se afastou da parede e seus olhos se
estreitaram.
— Fique longe da Taylor! — rosnou entre
dentes, parecendo um cão raivoso.— E fique longe da minha irmã...
Chris, que estava próximo as escadas, parou
de chofre e se voltou para David!
—Talvez eu fique! — desafiou-o nitidamente
se divertindo com o “aviso” de David. — Talvez não... Ainda não tenho certeza!
David inflamou o peito como um pombo, e seus
punhos se fecharam ameaçadoramente.
— É melhor ficar longe, ou se não...
Chris riu.
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— Se não o quê?! — Chris rosnava em
resposta. Em seu íntimo desejava que David finalmente tivesse coragem para
atacá-lo. — Vai depor contra mim de novo, e correr atrás da garota que eu
gosto?!
Os dois agora se encaravam, os rostos
próximos, quase testa com testa. Chris torcia por um motivo: que David lhe
atacasse, que desse a desculpa que ele precisava para descontar toda sua ira.
Contudo, David fora mais inteligente e se
esquivou deixando um Chris furioso para trás.
— Tarde demais não é?! — resmungou o
garoto, ainda pregado próximo às escadas. — Você já fez isso... Como poderia
fazer de novo?!
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